Mais um pouquinho de Lasar Segall

segall2escrevi aqui sobre o Museu Lasar Segall, mas como estou sempre por ali na Vila Mariana, fui de novo! Agora a exposição também era sobre Lasar Segall e também suas viagens e a mudança para o Brasil. Como havia dito no outro texto, os Klabin estão em todas e claro, Jenny Klabin, esposa de Segall, aparece nesta expo. Eis que um texto explica tudo. Jenny Klabin era uma jovem aluna das aulas de desenho de Segall. E depois de alguns anos, se reencontraram e se apaixonaram. Muita amor!
A expo é pequena, mas traz um pouco mais de detalhes sobre a vida do artista e suas intimidades. Há também alguns pertences e móveis dele e da sua família, o que nos leva a imaginar como era sua vida pelo bairro e com Jenny.

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A outra expo é do fotógrafo Facundo de Zuviría, um argentino que registra imagens de portas e janelas de Buenos Aires. Para eu que amo portas e janelas, e as de Buenos Aires são interessantíssimas, foi surpreendente. Todas as imagens são em preto e branco e mostram uma cidade que já teve seu glamour e agora com a maioria de suas “tiendas” fechadas e com suas fachadas grafitadas. Uma pena, mas interessante. Deu saudade de Buenos Aires!

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Museu Lasar Segall
Idas e vindas | Segal e o Brasil – até 04 de julho de 2016.
Frontalismo | Facundo de Zuviría – até 07 de março de 2016.
R. Berta, 111 – Vila Mariana, São Paulo – SP.
Entrada gratuita.

Empatia em SP

sampaDifícil encontrar pessoas com empatia, principalmente numa cidade como São Paulo. Você acorda, sai correndo, entra no seu transporte, troca algumas palavras com o pessoal do trampo e faz tudo de novo pra voltar para casa. Nem quando nos falamos nas redes sociais, entendemos que ali podemos praticar a empatia.
Em que momento você conseguiu parar, olhar para alguém e realmente perguntar com toda a curiosidade do mundo: “Tudo bom com você?”? E depois não pensar na resposta como algo previsível, mas sim escutar e entender o que aquilo significa para esse alguém.
Difícil, é tudo tão automático. O “tudo bem?”, não é mais usado para saber se o outro está bem, ele é tipo um cumprimento mesmo, um “oi”. Mas meu amigo, se você não responder que está “tudo bem”, é uma ofensa. Que gera fofocas, que afasta pessoas e uma palavra transforma todas as relações.
O ponto é: a única coisa que você pode esperar de uma pessoa, é o que VOCÊ deu a ela.
Se você realmente quiser que ela fale com você, te entenda, te trate bem, se abra, te beije ou te abrace, diga isso a ela!

O designer aprende a fazer isso desde os seus primeiros projetos. A empatia é essencial para ele entender o que o cliente precisa e acertar na mosca! Ele é um gênio? Não, ele pára para te escutar, ele entende aquilo que está na sua cabeça e o que você esteve disposto a dizer a ele. E assim, ambos fizeram um bom trabalho!

Hoje, olhando essa cidade de cima, pensei: “Será que essas pessoas sabem o que estão fazendo ali embaixo?”. Me senti tão pequena vendo o tamanho dessa cidade, tudo o que foi e é feito para ela ser assim. São Paulo, não é feita de prédios e sim de pessoas que estão dentro deles. Olhe para dentro.

O graffiti da nova economia

Você tem um muro lindo e gostaria de uma arte nele?
Você é artista e queria pintar sua arte num muro, tranquilamente, sem tomar enquadro?
Color+City é um site que faz a união do muro com o artista, em qualquer lugar do Brasil.
Você cadastra seu muro, tira fotos e espera para ver se algum artista tem interesse em pintar ele. O artista que se interessar, reserva o muro e tem até 15 dias para aparecer para pintá-lo. Muro autorizado, é só fazer a arte!
Todos ganham: a cidade, os artistas, o muro, você e eu. 😉

Vocês ainda vão ouvir muito falar disso, mas adianto aqui. Essa é a Fluxonomia 4D (Economia Criativa + Economia Compartilhada + Economia Colaborativa + Economia Multivalores) que está em todo esse processo do Color+City:
– 1D fator cultural: existe uma abundância de talentos dos artistas;
– 2D fator ambiental: a cidade está muito cinza e precisa de uma corzinha;
– 3D fator social: isso gera uma interação: quem olha, quem conversa, quem tem o muro e quem pinta!
– 4D fator monetário: é tudo feito na base da troca, sem envolver money.
A fluxonomia 4D depende de tudo isso para funcionar. E depende muita da confiança que existe entre todos nós. E só tem ganha-ganha e abundância sempre! Pesquise, coloque seus óculos e veja 4D a partir de hoje!


O significado de uma estrela

tina2Há uns anos atrás, resolvemos voltar para nossa casa em Atibaia por um tempo, devido o aluguel alto que pagávamos aqui em Sampa. Amo aquela cidade e a tranquilidade que ela me traz. Um dia antes do meu aniversário, me perguntaram se eu não queria uma cachorrinha, pois ela iria morar num apartamento muito pequeno. Eu aceitei e ela me aceitou. Bom, mais ou menos assim. Em casa, Tina ficava me observando de longe e tinha um certo receio quando eu me aproximava dela.

Andando pela cidade, que trazia mil lembranças da minha infância, entrei na biblioteca. Lá estavam aquelas mesinhas e cadeirinhas pequenas e lembrei do dia que minha mãe me levou ali e folheamos o livro O Pequeno Príncipe. Eu não sabia ler, mas lembro dos desenhos.
Resolvi que deveria ler ele de verdade e pedi para retirá-lo. Me disseram: “É que aqui é seção infantil, mas você pode retirá-lo na seção de adultos mesmo.” Eu queria tanto reviver aquilo e sentar nas mesinhas pequenas, que me confundi nas seções!
Então fui para casa com o livro, sabia mais ou menos do que se tratava, mas não tinha ideia que aprenderia tanto com ele.
Todos os dias, durante aquela semana, me sentei na mesma cadeira no quintal e lia uma parte do livro. Tina ficava bem longe de mim, dormindo. Conforme foram passando as páginas e os dias, eu gostava mais. Cheguei naquela parte do livro, que o autor fala da relação do príncipe com a raposa, quando um se torna eternamente responsável por aquilo que cativa. Comecei a prestar atenção, que a cada dia Tina dormia mais perto da minha cadeira. Até que ela dormiu embaixo da cadeira e um dia se sentou no meu colo! Me assustei! Mas me fez pensar como ela parecia uma raposa e que talvez eu também tivesse cativado ela, como na história.
Terminei o livro, virei a última página e lá estava o desenho de uma estrela feita pelo autor. Lembrei também do quanto minha mãe gostava de estrelas e me contava o nome delas quando olhávamos para o céu.
A estrela virou tatuagem, para eu lembrar da minha raposinha e da minha mãe. E lembrar de como um desenho tão simples pode fazer história, como fez Saint Exupéry.
tina“– É preciso ser paciente – respondeu a raposa. – Tu te sentarás primeiro um pouco longe de mim, assim, na relva. E te olharei com o canto do olho e tu não dirás nada. A linguagem é uma fonte de mal-entendidos. Mas, cada dia, te sentarás um pouco mais perto…
No dia seguinte o principezinho voltou.”.
Trecho do livro O Pequeno Príncipe – Saint Exupéry

Uma tarde na Vila Mariana…

Gosto de lugares acessíveis, daqueles que você entra, fica à vontade, ninguém fica perguntando onde vai ou lendo as regras para você. Se for de graça também é bom.
E existem 4 lugares na Vila Mariana, ali, descendo no metrô Santa Cruz, que são assim:

Casa Modernista, clique nas imagens para ampliá-las.

Casa Modernista (1)na Rua Santa Cruz, de arquitetura simples, projetada por Gregori Warchavchik, para ele mesmo. Foi considerada a primeira casa modernista do Brasil. Fica dentro do Parque Modernista e com um belo jardim ao redor, projetado por Mina Klabin. Imaginar o que ele viveu ali dentro é a melhor parte da visita.

Exposição Mário de Andrade e seus dois pintores

Na Rua Berta, o Museu Lasar Segall (2), foi moradia e ateliê deste artista. Idealizado como museu, pela viúva Jenny Klabin Segall, foi reaberto ao público em setembro e possui um café, biblioteca e vários cursos. A casa também foi projetada por Gregori Warchavchik, que já que ele estava por ali, resolveu fazer alguns projetos pelo bairro.

Ainda na Rua Berta, há diversas casinhas germinadas e modernistas. Também projetadas por ele e construídas pela família Klabin, que como podem ver, também estavam pelo bairro.
v.mariana1Em uma das casinhas está o Lab de Garagem (3). Ótimo para quem se interessa por tecnologia e precisa de ajuda para construir seus projetos independentes. Eles estão lá para auxiliar e também vender todos os equipamentos que precisar. Também tem workshops como, o de Arduino e de impressora 3D, que eu fiz há um tempinho. Os caras são muito simpáticos e dispostos a sanar todas as dúvidas.

E por fim, para desestressar, visite o Instituto Luz (4), na mesma rua. Todas as sexta-feiras, das 14hs às 17h, você pode levar 1 pacotinho de café ou leite em pó e receber aplicação de Reiki gratuitamente. É gratificante!

E depois de todo esse passeio eclético, espero que você tenha gostado e se identificado com algum. Pegue o mapa e visite, vale a pena!
stacruz